A MAGIA DOS FOGOS DE ARTIFÍCIO

“O fogo e o calor nos fornecem meios de explicação nos domínios mais diversos, porque é, para nós, a ocasião de lembranças imperecíveis, de experiências pessoais simples e decisivas”. – Gaston Bachelard

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É com essa citação que Sophia Costa começa seu lindo livro “Fogos de Artifício: imagens, mitos e símbolos”. E nele destrincha a história dessa invenção humana e a sua importância através dos tempos. Todos já sabem que os fogos foram criação chinesa, que servem como instrumento náutico e blá blá blá… Mas a autora vai além do lugar comum histórico e nos revela algo mais próximo dos costumes brasileiros: a festa junina, o encantamento e a alegria ritualística. Como bônus também trás um monte de embalagens coloridas e vai decifrando seus dizeres e quereres.

Sempre tive aversão às festas juninas em razão das “bombas de São João” serem insuportavelmente agressivas aos meus sentidos. O barulho carente de beleza que mais lembra tiro de revolver, o cheiro da pólvora, os animais assustados… porém sempre gostei da alegria que essa festa emana. De qualquer forma, no ambiente urbano em que cresci não havia a magia das altas fogueiras, o céu estrelado e, claro, crianças não podiam ficar soltas pela rua… E o pior de tudo é que já naquela época (80’s) as “bombas” faziam muito mais sucesso e eram mais usadas que os foguinhos para crianças (estrelinhas, craques e outros esteticamente agradáveis).

Esse livro me mostrou um olhar criativo sobre os fogos e seus significados. Pude vê-los por outro ponto de vista a partir de sua simbologia e de sua representação social. Trouxe a lembrança de que também podem ser chuva de luz e mediadores entre homem e céu…tentativa de chegar às estrelas. E além do propósito da comemoração, carrega algo bem mais profundo do sentimento humano: a vontade de alcançar o poder da natureza e atingir as alturas… e quem sabe vencer a escuridão da noite.

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A encadernação é muito bonitinha e a capa cheia de mandalas/rosáceas que lembram os fogos quando explodem. Inclusive, recebe o selo da editora Blucher, que publica exclusivamente obras acadêmicas; sendo essa a dissertação de mestrado da autora em Antropologia do Imaginário na UFPE. Sophia recolhe antigas embalagens de fogos encontradas no acervo da Fundação Joaquim Nabuco e compara de forma eficiente com as embalagens contemporâneas.

A simbologia e a sacralidade do fogo são bem abordadas, dando destaque à sua importância nos ritos religiosos de todas as culturas e sua função como instrumento mágico… Também somos lembrados de que a “festa do fogo” é também a “festa do sol” e que as datas de solistício estão intimamente ligadas com todo o estouro junino.

Imagens, formatos, sons e lirismo são ricamente interpretados, deixando o leitor encantado e com vontade de ir à barraquinha comprar um monte de caixas coloridas para enfeitar a noite com sonhos e alegria.

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