IAMI OXORONGÁ NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA

Já está disponível para leitura gratuita o meu mais recente artigo sobre as feiticeiras da mitologia iorubá, as Iami Oxorongá. O artigo se chama HISTÓRIAS DOS PÁSSAROS NOTURNOS: REPRESENTAÇÕES DE IAMI OXORONGÁ NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA e está disponível NESTE LINK: http://www.unicap.br/ocs/index.php/cncrt/3cncrt/paper/viewFile/237/22

O artigo foi apresentado no III Congresso Nordestino de Ciências da Religião, em 2016.

Iami Oxorongá é o nome pelo qual se designa a ancestralidade do poder feminino coletivo e reunido em uma só personificação na mitologia iorubá. O artigo propõe enfoque na recente forma de culto a estas ancestrais femininas nas religiões de matriz africana, particularmente o Candomblé. Trata-se de um culto recentemente difundido principalmente através da literatura contemporânea e do espaço virtual. Esse estudo constitui uma análise literária de alguns contos, poemas, romances e literaturas de viagem produzidos ou coletados nos últimos cinquenta anos sobre o tema. A partir dessa premissa, também foram analisados o processo de reafricanização e de valorização do sagrado feminino. A crítica literária foi apoiada nos conceitos de teóricos como Todorov e Stephen King.

Abebê (leque) de Oxum (a ialodê das Iami) com os pássaros noturnos.

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SOBRE IAMI OXORONGÁ, AS ANCESTRAIS AFRICANAS

Já está disponível para leitura, a minha dissertação de mestrado, defendida em março de2015, sobre Iami Oxorongá, as ancestrais feiticeiras da cultura iorubá. Para ler a dissertação, clique aqui: http://www.unicap.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1086

BOLO COMEMORATIVO NA MINHA DEFESA DE MESTRADO, COM PÁSSAROS NOTURNOS SOBRE UMA ÁRVORE, REPRESENTANDO AS ANCESTRAIS FEITICEIRAS.
BOLO COMEMORATIVO NA MINHA DEFESA DE MESTRADO, COM PÁSSAROS NOTURNOS SOBRE UMA ÁRVORE, REPRESENTANDO AS ANCESTRAIS FEITICEIRAS.

 

 

XAMANISMO NA REVISTA PARALELLUS

PARALELLUS é um periódico eletrônico acadêmico do Mestrado em Ciências da Religião, da Universidade Católica de Pernambuco. Seu objetivo é divulgar a produção do conhecimento sobre o fenômeno religioso no Brasil. Os trabalhos da PARALELLUS são publicados na forma de dossiês, temática livre e resenhas. Nesse primeiro semestre de 2014, a revista traz o Dossiê Religião e Sustentabilidade: meio ambiente e qualidade de Vida, que apresenta do artigo Universo Xamânico: sustentabilidade e espiritualidade em diálogo. Então, para ler, é só clicar: http://www.unicap.br/ojs-2.3.4/index.php/paralellus/article/view/285

Pintura de Johnny Palacios Hidalgo, artista de alma xamânica.
Pintura de Johnny Palacios Hidalgo, artista de alma xamânica.

 

 

Via Pulchritudinis

A beleza vai muito além de um padrão estético e, independente de culturas, ela abrange o universo e a natureza de cada ser. Nem todos os olhos conseguem enxergá-la porque ela não está disponível à primeira vista. Aliás, é preciso entender que nada realmente precioso será encontrado com facilidade, principalmente na cybervida.

A verdadeira beleza está no de profundis e é a própria divindade manifesta. É transfigurada do êxtase e, toda vez que este me vem à cabeça, lembro-me de Teresa D’ávila, que muito bem utilizou a metáfora do castelo, apontando-o para o céu e refletindo suas moradas estelares. Palavras dela:

“A porta do castelo é a oração. Consideremos agora que este castelo tem muitas moradas: umas no alto, outras embaixo, outras aos lados; e, no centro e meio de todas estas, tem a mais principal onde se passam as coisas mais secretas entre Deus e a alma. Parece que digo algum disparate; porque, se este castelo é a alma, claro que não se trata de entrar, pois se é ele mesmo, pareceria desatino dizer a alguém que entrasse num aposento estando já dentro.
Mas haveis de entender que vai muito além de estar a estar; que há muitas almas que ficam à volta do castelo, onde estão os que o guardam, e que se lhes não dá nada de entrar, nem sabem o que há naquele tão precioso lugar, nem quem está dentro, nem mesmo que dependências tem. Já tereis visto, em alguns livros de oração, aconselhar a alma a que entre dentro de si; é isto mesmo.
Dizia-me há pouco um grande letrado, que as almas que não têm oração são como um corpo paralítico ou tolhido que, embora tenha pés e mãos, não os podem mexer; e são assim: há almas tão enfermas e tão habituadas às coisas exteriores, que não há remédio nem parece que possam entrar dentro de si mesmas” (Castelo Interior, escrito por volta de 1500… não lembro os números das páginas. O leitor pode baixar o .pdf e ler gratuitamente). 

A estética está indissoluvelmente ligada à ética e à moralidade. Mas para a beleza não há fronteiras, pois o verdadeiro diálogo se dá entre as identidades que se reconhecem como tal em suas diferenças.
E assim, em minhas andanças pela magia do amor em busca do coração profundo, recordo uma máxima da oralidade xamânica sobre a crença dos navajos de que a beleza os circunda. E eles sintetizam isso em uma oração. Não é um comentário sobre a paisagem ou sobre o que está nela, mas sobre a harmonia e o equilíbrio de todas as coisas, entre elas o indivíduo dando voz à oração. É um pedido para manter o equilíbrio, tanto interiormente quanto no mundo afora. A espiritualidade dos navajos é dedicada a manter esse equilíbrio de modo que todos sigam a beleza.

Com a beleza antes de mim, que eu ande.
Com a beleza atrás de mim, que eu ande.
Com a beleza acima de mim, que eu ande.
Com a beleza abaixo de mim, que eu ande.
Com a beleza ao redor de mim, que eu ande.
Oração Navaja.

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Esse tema inesgotável remete ao discurso maravilhoso de Roger Scruton com seu documentário “Por que a beleza importa?”, algo que deveria ser assistido por muitas almas necessitadas da compreensão de que a arte não pode ser decretada em qualquer objeto ou em qualquer gesto e deve provocar as mais sublimes emoções. A beleza e a arte são plenas em si mesmas e ultrapassam qualquer utilitarismo.

Ps: Abaixo há duas versões do vídeo, a primeira sem legendas e a segunda com legendas em português.

Why Beauty Matters – Por que a beleza importa from jinacio on Vimeo.

 

O PODER DO XALE

Em termos simbólicos o xale ainda é pouco estudado, nem sequer está contido nos melhores dicionários de símbolos. Porém é um artefato mágico dos mais eficientes. Assim como outras imagens primordiais, ele está presente em todas as culturas, pois trata-se de uma vestimenta básica no universo feminino. Durante muitos anos estudei o xale nas culturas cigana e europeia, mas ultimamente venho pesquisando seus atributos por outros cantos do mundo…

Bailaora y su mantón

O xale lembra as vovós, seus bordados e o aconchego materno. Usá-lo significa retornar ao lar. Então, apesar de representar todas direções cardeais e elementais em sua forma de quadrante, o xale nos leva mesmo ao elemento terra… é a busca pela Mãe Terra e suas profundezas, é a riqueza do abrigo, do amparo e da proteção.
Assim, o trabalho mágico com o xale remete à terra e a ancestralidade por meio da beleza de seu bordado.
Nas “cartas xamânicas”, Jamie Sams reserva uma de suas cartas para o xale e escreve:

“A Mãe Terra acolhe em casa seus filhos
Quando eles se extraviam.
O caminho era ermo e comprido,
Ela lhes sussurra que fiquem,
Sob a proteção do Xale,
Onde o amor volta a habitar.
Seus corações podem abrir-se para recordar
Todos os Parentes como seus amigos.”

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Carta do Xale

A tomada do xale é um ensinamento Paiute. Esses nativos americanos escolheram voltar para casa e abraçar os ensinamentos dos seus Anciões.
Portanto, quem usa o xale está percorrendo um caminho de retorno ao lar que é tecido a muitos fios e que promove um encontro com as mais diversas linhas. O uso do xale pode entrar e sair de moda, mas sempre retorna para nos aquecer, proteger e nos guiar no caminho da beleza. As mulheres incas usam seus xales presos por um broche, tupus, um artefato que possibilitou aos arqueólogos identificar estátuas ou múmias como sendo do sexo feminino.
A mesma ideia do xale como os braços amorosos da grande mãe é expressa entre os celtas na figura de Brigith como a Senhora do Manto. O manto da Deusa não apenas cobre e protege todo o território, mas também envolve cada pessoa que recorre a ela por proteção. Os fios de que é tecido seu manto são os filamentos que conectam todas as coisas em uma grande teia de vida.
Da próxima vez que usar um xale, sinta a Grande Mãe envolver você em seu abraço amoroso e protetor.

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Dança do xale das índias norte-americanas.