IAMI OXORONGÁ NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA

Já está disponível para leitura gratuita o meu mais recente artigo sobre as feiticeiras da mitologia iorubá, as Iami Oxorongá. O artigo se chama HISTÓRIAS DOS PÁSSAROS NOTURNOS: REPRESENTAÇÕES DE IAMI OXORONGÁ NA LITERATURA CONTEMPORÂNEA e está disponível NESTE LINK: http://www.unicap.br/ocs/index.php/cncrt/3cncrt/paper/viewFile/237/22

O artigo foi apresentado no III Congresso Nordestino de Ciências da Religião, em 2016.

Iami Oxorongá é o nome pelo qual se designa a ancestralidade do poder feminino coletivo e reunido em uma só personificação na mitologia iorubá. O artigo propõe enfoque na recente forma de culto a estas ancestrais femininas nas religiões de matriz africana, particularmente o Candomblé. Trata-se de um culto recentemente difundido principalmente através da literatura contemporânea e do espaço virtual. Esse estudo constitui uma análise literária de alguns contos, poemas, romances e literaturas de viagem produzidos ou coletados nos últimos cinquenta anos sobre o tema. A partir dessa premissa, também foram analisados o processo de reafricanização e de valorização do sagrado feminino. A crítica literária foi apoiada nos conceitos de teóricos como Todorov e Stephen King.

Abebê (leque) de Oxum (a ialodê das Iami) com os pássaros noturnos.

Polifonia do Sagrado

Tarde, mas ainda em tempo, comunico que estou muito feliz em ter um artigo publicado na coletânea “Polifonia do Sagrado: Pesquisas em Ciências da Religião no Brasil”,  organizada pelo Prof. Dr. Péricles Andrade. O livro foi lançado no segundo semestre de 2016 e está disponível para venda comigo ou com a Editora UFS. O artigo “O culto às Iami Oxorongá na Região Metropolitana do Recife” foi escrito em coautoria pela Profª Drª Zuleica Dantas e por mim; tratando-se de um estudo sobre minha dissertação de mestrado em relação ao tema da ancestralidade feminina de origem iorubá.  Espera-se que esta coletânea possibilite um amplo debate sobre as tonalidades a partir dos quais o sagrado tem sido investigado pelos participantes desta área do conhecimento no Brasil.

 

SUMÁRIO

Apresentação – Péricles Andrade P. 13

1. Autonomia ou identificação orgânica entre a juventude católica e a instituição Igreja? Uma comparação entre estudos sobre as juventudes católicas no Brasil e na França – Marcelo Camurça P. 15

2. Categorias de acusação e campo religioso brasileiro: notas sobre manipulações da identidade e fronteiras móveis – Emerson Sena da Silveira P. 31

3. Aspectos do Desenvolvimento da Relação entre Religião e Espaço Público no Brasil: algumas anotações – Rodrigo Portella P. 49

4. Uma ciência como referência: uma conquista para o Ensino Religioso – Sérgio Rogério Azevedo Junqueira P. 59

5. O Culto as Iami Oxorongá na Região Metropolitana do Recife – Zuleica Dantas Pereira Campos e Andréa Caselli Gomes P. 73

6. Consumo, Prosperidade e Pertencimento Religioso – Drance Elias Da Silva P. 87

7. Manifestação de Identidade Cívica e Religiosa: o Primeiro Congresso Eucarístico Diocesano de Mossoró, Rio Grande do Norte (1946) – Newton Darwin de Andrade Cabral Cícero Williams da Silva P. 105

8. Protestantismo no Brasil: primórdios da inserção do Presbiterianismo em Sergipe – Alexandre de Jesus dos Prazeres e Gilmar Araújo Gomes P. 127

9. Aceitações Religiosas do Mundo e suas Direções: o caso da Religiosidade Criptojudaica – Marcos Silva e Isis Carolina Garcia Bispo P. 139

10. Reinvenção do sagrado: as práticas votivas populares e seus desdobramentos institucionais no nordeste do Brasil – Luís Américo Bonfim P. 153

11. Territorialidade Iurdiana em Aracaju-SE – Péricles Andrade e Célio Ricardo Silva Ribeiro Filho P. 167

12. A doutrina social da igreja e o espaço público no Brasil – José Rodorval Ramalho e Camilo Antônio Santa Bárbara Júnior P. 183

 

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SOBRE IAMI OXORONGÁ, AS ANCESTRAIS AFRICANAS

Já está disponível para leitura, a minha dissertação de mestrado, defendida em março de2015, sobre Iami Oxorongá, as ancestrais feiticeiras da cultura iorubá. Para ler a dissertação, clique aqui: http://www.unicap.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1086

BOLO COMEMORATIVO NA MINHA DEFESA DE MESTRADO, COM PÁSSAROS NOTURNOS SOBRE UMA ÁRVORE, REPRESENTANDO AS ANCESTRAIS FEITICEIRAS.
BOLO COMEMORATIVO NA MINHA DEFESA DE MESTRADO, COM PÁSSAROS NOTURNOS SOBRE UMA ÁRVORE, REPRESENTANDO AS ANCESTRAIS FEITICEIRAS.

 

 

Contos e Paganismo em Lisboa

Em maio de 2015 minha pesquisa sobre Contos de Fadas e Paganismo – única no Brasil – foi apresentada no I Congresso de Ciências das Religiões da Universidade Lusófona, em Lisboa. Não tem preço ter sido tão elogiada por professores, colegas e demais expectadores. Gratidão ao universo! Em breve o livro será lançado! Abaixo, imagens de mais essa conquista que não é só minha, mas também do paganismo brasileiro.
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Chegando para a apresentação.
Chegando para a apresentação.
Na Casa do Fauno.
Na Casa do Fauno.
Apresentando a pesquisa.
Apresentando a pesquisa.

Via Pulchritudinis

A beleza vai muito além de um padrão estético e, independente de culturas, ela abrange o universo e a natureza de cada ser. Nem todos os olhos conseguem enxergá-la porque ela não está disponível à primeira vista. Aliás, é preciso entender que nada realmente precioso será encontrado com facilidade, principalmente na cybervida.

A verdadeira beleza está no de profundis e é a própria divindade manifesta. É transfigurada do êxtase e, toda vez que este me vem à cabeça, lembro-me de Teresa D’ávila, que muito bem utilizou a metáfora do castelo, apontando-o para o céu e refletindo suas moradas estelares. Palavras dela:

“A porta do castelo é a oração. Consideremos agora que este castelo tem muitas moradas: umas no alto, outras embaixo, outras aos lados; e, no centro e meio de todas estas, tem a mais principal onde se passam as coisas mais secretas entre Deus e a alma. Parece que digo algum disparate; porque, se este castelo é a alma, claro que não se trata de entrar, pois se é ele mesmo, pareceria desatino dizer a alguém que entrasse num aposento estando já dentro.
Mas haveis de entender que vai muito além de estar a estar; que há muitas almas que ficam à volta do castelo, onde estão os que o guardam, e que se lhes não dá nada de entrar, nem sabem o que há naquele tão precioso lugar, nem quem está dentro, nem mesmo que dependências tem. Já tereis visto, em alguns livros de oração, aconselhar a alma a que entre dentro de si; é isto mesmo.
Dizia-me há pouco um grande letrado, que as almas que não têm oração são como um corpo paralítico ou tolhido que, embora tenha pés e mãos, não os podem mexer; e são assim: há almas tão enfermas e tão habituadas às coisas exteriores, que não há remédio nem parece que possam entrar dentro de si mesmas” (Castelo Interior, escrito por volta de 1500… não lembro os números das páginas. O leitor pode baixar o .pdf e ler gratuitamente). 

A estética está indissoluvelmente ligada à ética e à moralidade. Mas para a beleza não há fronteiras, pois o verdadeiro diálogo se dá entre as identidades que se reconhecem como tal em suas diferenças.
E assim, em minhas andanças pela magia do amor em busca do coração profundo, recordo uma máxima da oralidade xamânica sobre a crença dos navajos de que a beleza os circunda. E eles sintetizam isso em uma oração. Não é um comentário sobre a paisagem ou sobre o que está nela, mas sobre a harmonia e o equilíbrio de todas as coisas, entre elas o indivíduo dando voz à oração. É um pedido para manter o equilíbrio, tanto interiormente quanto no mundo afora. A espiritualidade dos navajos é dedicada a manter esse equilíbrio de modo que todos sigam a beleza.

Com a beleza antes de mim, que eu ande.
Com a beleza atrás de mim, que eu ande.
Com a beleza acima de mim, que eu ande.
Com a beleza abaixo de mim, que eu ande.
Com a beleza ao redor de mim, que eu ande.
Oração Navaja.

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Esse tema inesgotável remete ao discurso maravilhoso de Roger Scruton com seu documentário “Por que a beleza importa?”, algo que deveria ser assistido por muitas almas necessitadas da compreensão de que a arte não pode ser decretada em qualquer objeto ou em qualquer gesto e deve provocar as mais sublimes emoções. A beleza e a arte são plenas em si mesmas e ultrapassam qualquer utilitarismo.

Ps: Abaixo há duas versões do vídeo, a primeira sem legendas e a segunda com legendas em português.

Why Beauty Matters – Por que a beleza importa from jinacio on Vimeo.